Escola


Photo by Angelina Litvin

"Esse moleque não vai pra escola, não?" Perguntou o avô.

O grupo escolar municipal mais próximo distava uns três quilômetros. Era o mesmo em que o pai havia estudado até a quarta série primária. No primeiro dia de aula, o menino foi levado de charrete, e a mãe ia lhe ensinando o caminho para que ele, mais tarde, o percorresse à pé. Aguardaram na sala da professora até que ela acabasse de explicar a matéria de português para a classe.

"Ele sabe ler alguma coisa, mamãe?"

"Ainda não, mas aprende rápido"

E foi assim mesmo. O menino era ágil de mente, interessado e muito relacional. Logo estava liderando os colegas nas brincadeiras do recreio e saía-se muito bem nas matérias exatas. Tornou-se o aluno favorito da tia Haydê, modo como a professora era carinhosamente chamada.

O avô brincava com ele:

" 'Ai dê' você, se não fizer o dever" - debochando, balançando na cara do moleque uma vara de pescar.

Essa era a parte que ele não gostava, lição de casa. O mundo lá fora parecia não poder esperar por aqueles infindáveis minutos despendidos sobre os cadernos de caligrafia. Mas, o avô estava sempre certo... "Ai dê..."

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