Esperança

Photo by Bonnie Kittle 






Aqueles eram tempos difíceis. Por mais que ele arasse a terra, só conseguiam ter o suficiente para sua sobrevivência. A barriga dela se avantajava mais rapidamente do que da primeira vez, causando-lhe um desconforto incomum enquanto subia o morro com a marmita de seu marido.

Ela tinha mais tarefas a fazer agora, e não se permitia descanso até que tudo estivesse cumprido. Sorte que seu moleque gostava mesmo é de brincar no quintal o dia todo, subindo em árvores, correndo atrás das galinhas, e colecionando besouros.

O avô amava o menino magrelo e sabia que algo tinha que ser feito por ele, principalmente.

No fim da tarde, o marido chega em casa com aquele cheiro forte de suor e não encontra o filho e a mulher na cozinha. A mesa estava posta, porém.

Ouviu uma certa comoção do lado de fora, o som vinha do quintal do seu velho pai. Havia gritos, risadas.

De repente, seu filho entra em casa esbaforido e lhe pega a mão.

"Corre, pai. Vem ver uma coisa! Corre!"

Ele não podia acreditar no que seus olhos viam... Uma vaquinha amarrada no galho da jabuticabeira. (O velho pai não demonstrava muito bem seus sentimentos e nem estava por lá naquela hora). A vaca ruminava sossegada, abanando os bichos com o rabo, e tinha um andar atrapalhado.

Agora, eles poderiam ter leite, manteiga, queijo...
Seus olhos marejavam, quando viu o filho correndo de novo em sua direção.

"O vô que deu pra nós, pai! E eu já dei um nome para ela: Manquinha."

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