Estrepolia

Photo by Marvin Galant
O terceiro filho nasceu gordo, moreno e nos primeiros dias ficou rouco de tanto chorar. Era uma beleza de menino, e o irmão mais velho vibrava quando ele lhe sorria.

O tempo passou depressa, acho que por conta da correria da vida. Agora eles tinham mais que duas vaquinhas, uma clientela fiel e um jipe velho para facilitar a entrega do leite.

Os meninos já brincavam juntos no quintal e se imaginavam exploradores, muitas vezes. Numa dessas, adentraram pela pequena mata que havia perto do rancho em busca de uma cachoeira. No caminho, atravessaram uma pinguela sobre um riacho cristalino. O mais novo não se conteve em sua curiosidade e se debruçou para ver melhor uma tilápia que passava por ali. Seus pés derraparam no musgo que havia sobre o tronco que improvisava a ponte estreita e ele acabou dependurado pela calça num dos galhos,  berrando socorro. O mais velho se apavorou e correu em disparada em busca de ajuda. Por sorte, encontrou o avô vindo de uma pescaria.

"Corre, vô! O manin tá pendurado na pinguela! Ele vai cair!" Chorava o rapazinho.

Quando chegaram, o avô agarrou o menor no braço e, num golpe só, o ergueu. Abraçou-o tão forte que quase o sufocou. Só depois é que deu uma bronca nos dois meninos, ensinando-os a não vagarem mais por ali sozinhos. E eles nunca mais souberam se havia cachoeira mesmo naquela mata.

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