Ruína

Ele visitava o rancho aos sábados à tarde, após o expediente na loja de produtos veterinários. Acompanhava atentamente o desenvolvimento do seu gado. Em pouco mais de seis meses eles poderiam começar o abate de uma primeira leva de vacas.

Na loja, enquanto ele trabalhava no atendimento aos clientes e aprendia rapidamente a aconselhá-los quanto ao uso mais adequado dos produtos para seus animais, o primo era responsável pelos negócios com fornecedores.

Certa vez, o primo lhe chamou num canto e falou em voz baixa.

"Precisamos expandir a loja. Conversei com o gerente do banco, e ele pode me emprestar dinheiro, desde que eu possua um bom avalista."

Por inexperiência, ingenuidade, confiança ou gratidão, sei lá, ele comprometeu seu gado no empréstimo concedido ao primo.

O que se viu nos meses que se seguiram não foi o investimento na loja, e sim reuniões e mais reuniões de negociação de dívidas com os fornecedores, sem sucesso. A loja entrou em falência pouco tempo depois, e o banco se apropriou do seu gado no acerto do valor emprestado ao primo.

Nada nem ninguém conseguia confortá-lo nas madrugadas insones que experimentou por muito tempo. Sua fé era a única coluna que o sustentava, e sua responsabilidade com o cuidado de sua família o único motivo de não desistir de viver.

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