Substituta


Photo by Faith Enck

Um dia o mais velho chegou em casa mais cedo. A tia Haydê não tinha ido dar aula, e a escola, de tão minúscula e precária, não tinha professora substituta. E isso se repetiu nos dois dias seguintes.

A mãe foi até lá para saber o que se passava e se ofereceu para ajudar nas lições da classe. Ela tinha estudado num internato e tinha o colegial completo. Para aquelas crianças da roça era mais do que bom!

O filho mais velho ficava muito confuso, chamando-a ora de mãe, ora de "fessora". Mas, trazia em si um certo orgulho em pensar que sua mãe era assim tão esperta.

Quando tia Haydê voltou, depois de quase um mês de licença saúde, encontrou seus alunos muito bem em todas as matérias. Conversou com o diretor do grupo e entregou a sua classe para a nova professora, ficando apenas com suas aulas na cidade.

A rotina da mãe mudou por completo, então. Ela tinha que sair bem cedo para chegar em tempo na escola, e antes disso precisava ajudar na ordenha, coar o café, arrear o cavalo na charrete e embrulhar o mais novo, ainda dormindo, para deixá-lo na casa do avô. Dava aulas até às onze da manhã, e voltava para o rancho com o mais velho, que aproveitava para adiantar algumas lições de matemática.

Começava, então, a sua segunda jornada: esquentar a comida, arrumar a cozinha, lavar e passar as roupas, preparar a aula do dia seguinte, vigiar vez ou outra os meninos no quintal, fazer a janta, preparar o banho dos meninos, colocá-los na cama e orar com eles.

Ainda lhe restavam as últimas horas do dia, dividindo-as entre o carinho ao marido e a devoção a Deus. Desta última, sabia, lhe vinha toda sua força.

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