Valor

Com o orçamento apertado, eles conseguiam pagar em dia todas as suas contas, mas não tinham luxo. Pelo contrário, eles se privavam de muitos pequenos prazeres.

As roupas que usavam eram confeccionadas em casa, as refeições especiais eram esporádicas e somente nas casas de parentes. Ainda bem que naquele tempo as demandas com as crianças eram poucas: escola pública, festas da Igreja, e só.

Nem no Natal, elas precisavam de muito para ficarem felizes. Faziam seus próprios brinquedos de sucatas, embrulhavam em papel pardo e distribuíam uns aos outros. Era uma festa!

A rotina de trabalho do pai mudou por um mês. É que um dos tios que tomava conta dos negócios de um certo fazendeiro entrou de férias, partiu numa pescaria e pediu que ele o substituísse ali. Então, o pai dedicou-se na administração da fazenda e fez um brilhante trabalho.

Passado aquele mês, ele retornou à loja de produtos agropecuários. Na semana seguinte, recebeu a visita do fazendeiro, que lhe propôs:

"Estou abrindo um armazém de fertilizantes na cidade, e quero que você trabalhe comigo."

"Eu gostaria muito." Respondeu o pai. "Mas, tenho um compromisso moral com meu primo. Infelizmente, não posso aceitar sua oferta."

O fazendeiro pensou um pouco, insatisfeito e desacostumado a receber nãos.

"E se seu primo resolver vender essa loja, você aceita?"

"Creio que nesse caso, sim."

Na semana seguinte, lá estava de volta o fazendeiro, com a mesma proposta. Desta vez, de posse da loja de produtos veterinários,  que ele fez questão de comprar para ter aquele jovem e eficiente senhor como seu empregado.

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