Negociante

Photo by Rachel Lees 


Eles possuíam doze vacas holandesas, espécie pouco conhecida naquela parte de Minas. Elas ficaram bem faladas na cidadezinha, pois produziam o triplo de leite que um rebanho comum. Por conta disso, o pai recebe uma visita inesperada no seu rancho. O fazendeiro mais rico daquela região, sentado na humilde cozinha deles e com uma caneca de café recém coado nas mãos, estava ali determinado a negociar.

"Quero suas vacas. Faça seu preço".

Ele preferiu pensar antes de fechar qualquer negócio. Sabia que sua produção causava espanto e admiração nas pessoas, mas só dimensionou o quanto seu pequeno rebanho valia depois daquela visita. Para ele não restava dúvidas, porém, de que havia nisso a mão de Deus. O que fazer, agora?

Depois de alguns cálculos, determinou um preço bem acima do razoável, até mesmo para um fazendeiro rico. Determinou-se a não negociar nenhum centavo a menos do que o valor estabelecido em sua mente, tornando a venda mais difícil. Só assim teria a segurança no seu coração de estar fazendo a coisa certa, caso o negócio fosse fechado.

"Feito. Hoje à tarde virei com o dinheiro e meus empregados para buscá-las."

Ele nunca tinha posto a mão em tanto dinheiro, na sua vida! No dia seguinte, partiu bem cedo para a cidade sem saber muito bem o que fazer com ele. Agradeceu a Deus por essa bênção recebida e sentou-se no banco da praça para pensar no futuro a seguir. Algumas horas depois, tomou uma decisão.

Sua esposa passou o dia ansiosa. Suas vidas dependiam das vendas do leite e agora eles se lançavam no desconhecido. A tarde caía e nem sinal do marido. Ela decidiu esperar por ele junto à porteira do rancho, então.

O crepúsculo surgia no horizonte quando finalmente ela viu a poeira da estrada se levantar. Para sua surpresa, ele vinha lentamente, trazendo uma vaca amarrada no jipe.

"Que é isso, meu bem? Que foi que você fez?"

"Paguei todas as nossas dívidas."

"E essa vaca que você trouxe?"

"Comprei com o dinheiro que restou."

Ela não conseguia esconder uma certa decepção em seu olhar.

"Trocou nossas doze vacas por uma?" Pensava, aflita.

"Essa é uma vaca Zebu, querida, para gado de corte. A primeira das trinta e duas que comprei para nós!"

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