Caloi Dourada

Bem de frente à casa onde moravam havia um armazém enorme e vazio que ficava bem no centro de toda uma quadra. Ele era cercado por um grande muro descascado, que se encerrava num portão fechado apenas por uma corrente que se destrancafiava facilmente.

Resumindo, o local virou playground da molecada da rua, e espaço para os aprendizes de motorista praticarem suas balizas.

Num final de semana especial, o pai chegou em casa com uma bicicleta dourada. As meninas vibraram e começaram as aulas imediatamente. O primeiro professor foi o próprio pai que ia correndo do lado delas segurando-as pelo banco da bicicleta, até as meninas começarem a adquirir equilíbrio.

O chão em volta do armazém era de terra, e amortecia bem os vários tombos que elas levaram. Mas, o professor principal precisou de substitutos, papel voluntariosamente assumido pelos filhos mais velhos que já dominavam bem a arte das pedaladas naquelas alturas.

Quando a tarde do domingo se encerrou, as duas já haviam aprendido a lição. A Caloi dourada agora lhes passou a ser companhia inseparável, e motivo de muita alegria para toda a turminha da rua.

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