Fritz Dobert

A nova família chegada ao bairro causou uma certa comoção. Os poucos vizinhos trataram de mostrar bem a hospitalidade típica mineira, não lhes deixando faltar guloseimas nos dois primeiros dias ali.

Os meninos, agora já rapazes, ganharam um quarto para cada,  as meninas compartilharam um outro. Eram quartos grandes, de piso frio, que a mãe decorava com colchas de chinil.

Logo, as meninas se entrosaram com as outras crianças da redondeza. Passavam juntas as tardes brincando de piques, bicicleta e Bets de taco. Ainda dispunham de um enorme quintal, cheio de canteiros e plantas, palco de muitas travessuras.

Ora, naqueles dias, toda menina que crescesse numa família mineira que se prezasse tinha que aprender a tocar um instrumento. De preferência, num bom conservatório.

E foi por isso que um enorme caminhão estacionou na porta da casa delas, certa vez. Trazia na carroceria uma gigantesca caixa, e muito pesada. Tão pesada que foram necessários quatro homens fortes para tirá-la de lá e colocá-la na calçada.

Aberta, a caixa revelou um piano Fritz Dobert novinho em folha, cuidadosamente colocado na sala de estar. Que festa as meninas fizeram! Naquela tarde nem quiseram brincar na rua, gastando as horas batucando as teclas ainda desafinadas e cantando as músicas da época em tons desencontrados.

Pai e mãe nem ligavam do barulho. Pelo contrário, exibiam sorrisos escancarados, talvez imaginando as harmonias que aquelas notas desafinadas iriam um dia ganhar.

Comentários

  1. Através do Fritz Dobert as meninas compuseram lindas canções de louvor que foram cantadas em festivais evangélicos e nas Igrejas Presbiterianas do Leste de Minas. E até hoje louvam a Deus com lindas harmonias

    Ronaldo

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