Herói

Era sábado de manhã, quase hora do almoço. A família estava reunida em casa, menos a menina mais nova que brincava com uma amiguinha na última casa da rua. A mãe pediu ao filho mais velho que fosse buscá-la.

Na rua havia uma casa muito antiga, desabitada e com risco de desmoronar. As crianças sempre sentiam arrepios ao passarem por ela e o mais velho, apesar de adolescente, também. Mesmo assim, ele deu uma parada em frente à casa pensando ter ouvido um barulho diferente vindo de dentro dela. Estava distraído na sua curiosidade quando reparou na sua irmãzinha chamando-o ao longe. Ela vinha da casa da vizinha, tranquila em sua direção.

Foi quando ouviu-se um chicoteio rápido, seguido de um estilhaço de vidro. Uma das paredes da casa havia subitamente desmoronado e empurrava um dos postes de eletricidade da rua. Um fio de alta tensão havia se rompido e saltitava na direção da garotinha.

Num reflexo, o irmão disparou em direção a ela, gritando. Pegou-a no colo e protegeu-a com seus braços, correndo para a uma varanda do outro lado da rua. Agacharam-se e se refugiaram ali, até que a poeira se assentasse.

Os bombeiros e policiais da cidade foram acionados. Os adultos e vizinhos cercaram o lugar assustados e exaltados com as autoridades que nada fizeram para prevenir tal perigo. O pai e a mãe orgulhosos e gratos precisaram contar várias vezes a bravura de seu filho, que na verdade tremia por dentro e o tempo todo segurava a mão da irmãzinha. Ela permaneceu tranquila ao lado dele, e de vez em quando o imaginava como super-homem, o seu herói.

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