Mula-Sem-Cabeça

Os meninos cresceram ouvindo estórias que o avô gostava de inventar. A lenda da Mula-Sem-Cabeça era a que ele mais repetia para os moleques, principalmente quando passava com eles por um certo entroncamento na estrada entre o rancho e a cidade.

A vida na cidade era pacata por aquelas bandas, e os meninos viviam soltos, brincando na rua. Vez ou outra, também iam sozinhos, à pé,  da cidade ao rancho visitar o avô, uma caminhada de quase uma hora.

Naquele sábado,  eles brincaram o dia todo na rua e, num ímpeto, resolveram ir ao rancho quando a tarde já começava a cair. Lá pela metade do caminho, eles começaram a conversar.

"Dim, tá escurecendo rápido demais. Será que vamos conseguir passar pelo entroncamento antes da noite chegar?"

Os olhos deles arregalaram. O avô sempre dizia que a Mula-Sem-Cabeça só aparecia à noite, e matava as pessoas de tanto susto.

"Vamos mais depressa, então!" O mais novo respondeu.

E assim foi. Os meninos davam  pequenos trotes na esperança de vencerem a corrida contra o anoitecer. Mas, seus cálculos não eram nada precisos. Quando chegaram na curva antes do entroncamento já estava tudo escuro, e só a lua cheia lhes iluminava o caminho. Os dois pararam ali por alguns minutos, buscando fôlego e coragem para atravessarem o entroncamento como relâmpagos. De repente, ouvem um estalo no mato. O mais velho, num reflexo, gruda na mão de Dim e corre em disparada. Chegaram de volta em casa mais rápido que se estivessem voltando de charrete!

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