Quartinho

Toda casa tem um quartinho de bagunça. O deles ficava na pequena edícula, e era abarrotado de retalhos, caixas de papelão, ferramentas, banquetas com pés quebrados, pneus velhos, garrafas de vidro vazias, etc. Por que as pessoas têm mania de guardar tranqueiras, ninguém sabe...

As meninas costumavam brincar ali também, com suas bonecas. Construíam uma casinha imaginária com aqueles objetos velhos e ali permaneciam horas a fio. Mas, naquele dia algo as assustou. Escutaram um barulho estranho e depois viram uma das caixas de papelão se mexendo. Gritaram pela mãe que também presenciou a cena e já imaginou o pior... ratos, só podia ser...

Corajosamente, ela ordenou às filhas que ficassem quietas do lado de fora, enquanto entrava no quartinho armada com uma vassoura, à porta fechada. O que se passou lá dentro povoou a imaginação fértil das meninas, que tentavam decifrar os vários ruídos vindos de dentro do cômodo trancado.

Passaram-se uns poucos minutos, na verdade, mas para as meninas pareceram horas, até que a mãe abrisse aquela porta. Para a decepção delas, a mãe saiu sem qualquer trunfo nas mãos, e não lhes dirigiu palavra alguma, prosseguindo apressadamente para o telefone. As meninas perceberam que ela falava com bombeiros solicitando ajuda para pegar o bicho enfurnado.

"Parece ser um dos grandes, venham depressa por favor!" Ela rogava.

Já era o meio da tarde quando os bombeiros vieram e entraram no quartinho, cheio de equipamentos, máscaras e uma gaiola. Agora sim, eles de fato pelejaram no quartinho por cerca de uma hora.

E saíram de lá exibindo o maior gambá que já tinham visto. Era fêmea, estava grávida e brava, e havia empesteado o lugar.

No outro dia, o quartinho foi limpo e organizado, livre de todas as quinquilharias. Ficou tão espaçoso que as meninas podiam desenhar com giz no chão uma amarelinha e montar uma cabana com lençóis velhos, um maravilhoso reino de fantasias!

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