Fogo

Época de férias, a mãe, ainda no período de resguardo do filho caçula, descansava no quarto aproveitando a soneca do bebê.

As meninas resolveram brincar no quartinho de bagunças, e encontraram um fogareiro velho. Tiveram a brilhante idéia de brincar de cozinhar, então.

"Que tal feijão? Eu vi a mãe fazendo um dia. É só colocar um pouco de água e pronto." Disse a mais velha.

Arranjaram um daqueles vidros grandes de azeitona, já vazio, e ali derramaram os feijões com um pouco de água. A mais velha acendeu o fogareiro e colocou o vidro sobre o fogo. Cinco minutos depois, viram o fundo do vidro quebrar, molhando tudo em volta e frustrando o projeto.

A experiência lhes ensinou que não se deve colocar vidro diretamente no fogo.

"E lata? Acho que com uma lata vai funcionar" Disse a mais nova.

"Vou procurar uma lata lá no quintal. Você enxuga o fogareiro e acende o fogo de novo, enquanto isso, tá?" A mais velha falou e logo saiu em busca da "panela" improvisada.

Levou poucos minutos para encontrar o que queria e voltou para o quartinho. A irmã segurava um litro de álccol na mão e começava a derramá-lo no fogareiro que continha um fósforo aceso.  De repente, ouviu-se uma explosão, e uma grande faixa de fogo surgiu em direção à mais velha. O fogo atingiu seu braço esquerdo que ardia em chamas.

Os segundos que se seguiram foram cruciais. Como por um reflexo, a menina passou a sua mão direita pelo braço, e misteriosamente apagou o fogo. Em seguida, sua mãe surgiu no quartinho apavorada e num gesto instintivo derramou no braço queimado um vidro de azeite. O cheiro do unguento misturou-se com o de pele queimada causando náuseas. A menina gritou de dor por meia-hora, enquanto seguia para o pronto-socorro. Felizmente, a queimadura foi de segundo grau e lhe rendeu apenas uma discreta cicatriz na mão esquerda.

Quem brinca com fogo, de fato pode se queimar...

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