Tormentas

"É importante que vocês saibam, cinco entre cem crianças saudáveis podem vir a apresentar um quadro convulsivo. Nós vamos tratar o filho de vocês e ele ficará bem"

O pediatra conversava com o mais velho, enquanto a jovem mãe segurava fortemente a mãozinha do seu bebê, adormecido naquela imensa maca de hospital. Ele havia tido uma convulsão febril, já pela segunda vez... E as chances de apresentar outras cresciam.

Até encontrarem a dosagem correta do medicamento, o jovem casal passou muitas noites em claro, muitas corridas para o pronto-socorro, muitas expectativas quebradas. Esgotados física e emocionalmente, acabavam por descontar um no outro suas frustrações, tornando aquela tribulação ainda maior. Meses e meses se passavam, a luta parecia não ter mais fim.

O bebezinho se desenvolvia bem dentro do possível, sempre cercado de cuidados. Somente quando as crises cessaram é que os pais puderam relaxar e recuperar o que restara de afetividade entre eles, após a tempestade.

Mas, a vida ainda lhes reservava mais desafios. O mais velho viu-se promovido e precisou mudar para a maior cidade do país. A fábrica de adubos crescia vertinosamente e tinha aberto uma pequena filial na rua São Bento, um escritório de vendas para expansão do negócio no estado de São Paulo.



Como um desbravador bandeirante, lá foi ele fixar moradia primeiro, para depois levar consigo sua esposa e filho. Nem é preciso dizer como foi difícil para eles a adaptação na capital. A cultura paulistana era muito acelerada, e o tempo parecia mais ligeiro por lá. A vizinhança não era tão cordial, e eles se viram muito sozinhos por um longo tempo. A mãezinha, ainda atortoada com a primeira tormenta, tentava encontrar dentro de si forças para continuar remando contra aquela maré.

Comentários

  1. Com a benção de Deus e ajuda dos familiares o menino cresceu saudável e com saúde .... Hoje é um bonito rapaz de olhos verdes.... Lindo mesmo.....

    Ronaldo

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