fraternidade

Na pequena bolsa preta ela carregava o par de luvas brancas.

"Quando estiver em apuros, tire-as da bolsa e mostre-as. Você receberá logo, logo, a ajuda." O pai repetia à mãe.

As meninas achavam aquilo o máximo! Parecia coisa de "super-herói" resgatando uma donzela em apuros. Além disso, as luvas carregavam um certo mistério... Não se podia falar delas a ninguém, e nem explicá-las.

Então, elas repousavam sempre lá, na bolsa preta. As meninas até gostariam de usá-las em suas brincadeiras, mas eram expressamente desencorajadas a tal.

Até hoje não se sabe ao certo se seriam de fato eficientes...

Diferente do pequeno adesivo que morava no vidro dianteiro da caravan verde. Esse, sim, teve sua serventia.

O pai dirigia pela rodovia federal e distava apenas cinco quilômetros da cidade quando se deparou com um motorista displicente que ultrapassava em local proibido, e à noite, vinha diretamente de encontro a ele. Para evitar um desastre, a caravan foi desviada para o acostamento. Na escuridão, porém, o pai não se apercebeu de um monte de terra que se entulhava por ali, e em alta velocidade, capotou três vezes, ferindo-se gravemente.

O motorista responsável pelo acidente fugiu, deixando o pai à sua sorte.

Mas, poucos minutos depois, um outro carro parou ao lado da caravan. Um homem desceu e se dirigiu ao pai. Percebeu que ele estava inconsciente, e arriscou-se na estrada pedindo ajuda a outro viajante noturno.

"Vá até a cidade e peça uma ambulância que venha socorrer este senhor. Eu ficarei com ele."

E foi assim. Além de prestar o auxílio necessário, o homem ajuntou os papéis e documentos que se espalharam pelo chão, acompanhou a ambulância e só prosseguiu sua viagem depois de ver o pai devidamente atendido e tratado.

Quando Dim e a mãe foram avisados e chegaram ao hospital, o homem já havia partido. Não tinha deixado seu nome, sua origem ou seu destino. Apenas um bilhete sobre a pasta de documentos que reproduzia o símbolo daquele adesivo grudado na caravan...

Comentários

  1. Nossa! Sonia, é uma história que aconteceu? Ou é criação sua. A gente lê e fica apreensivo.

    boa semana pra vc

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  2. Oi Alexandre,

    Aconteceu mesmo. Até hoje não sabemos quem foi esse "anjo" que socorreu papai, mas lhe somos gratos. Ele teria socorrido a qualquer pessoa, mas, como fazia parte da mesma fraternidade, fez além do que simplesmente socorrer. É um bom exemplo para nós, não é?

    Abraços a você aí no Japão!

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