Voleibol



Uma estudava no colégio militar, a mais velha. Outra, na "escola normal". Ambas públicas, e com um nível bastante elevado de ensino (naquela época).

As escolas organizavam entre si campeonatos femininos de voleibol que duravam alguns meses. Suas equipes se preparavam como podiam, uma vez que nenhuma delas dispunha de orientação técnica adequada, contando apenas com a boa vontade dos professores de educação física.

A preparação também incluía escolha do nome do time e design do uniforme (artesanalmente costurado).

Os times tinham que passar por vários adversários, e as disputas reuniam um público considerável, principalmente quando aconteciam no horário escolar.

"Jogada Ensaiada" contra "Unidos Por Acaso" colocaram as irmãs uma contra a outra, pela primeira vez.

A mais nova destacava-se como jogadora de ponta, com bolas cortadas em diagonal. A outra, mais baixinha, era levantadora e armava as jogadas (três ao todo) para a equipe. Na quadra elas mantinham distante seu laço de sangue e não titubeavam na busca da vitória para seus times.

"Que vença o melhor!" diziam uma à outra, cada vez que se cruzavam na rede.

O ponto final daquela tarde que conferiu o título para a escola militar foi decidido numa bola de segunda, devidamente largada rente à rede adversária. "Unidos Por Acaso" orgulhosamente recebeu, então, o troféu barato, que logo foi esquecido sobre o armário da sala dos professores.

As irmãs voltaram juntas para casa, e de um jeito bem simples já haviam deixado na quadra vazia a rivalidade. De lamento, só o desgosto de não poderem mostrar "ao mundo" a dupla perfeita que seriam num time só.

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